sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Bem-vindos à Vida Real


"Acabou o Carnaval. Sejamos todos bem-vindos à vida real"



Editoria: Comportamento

Texto Publicado no Jornal Dia@Dia

Fevereiro/2010.



Acabou a música, os confetes já foram varridos, as serpentinas não adornam mais as praças, as fantasias voltaram para os armários, enfim, terminou o carnaval. Sejamos todos bem-vindos à vida real.


Agora não há mais marchinhas para encobrir os gritos de socorro, não estamos anestesiados pelo álcool, não há máscaras cobrindo o rosto. Voltamos a ter responsabilidades.


Depois de quatro noites de puro êxtase e entrega aos prazeres da carne eis que surgem novamente todos aqueles problemas pessoais e sociais que sumiram milagrosamente por algum tempo.


Chegou a hora de contabilizar as conseqüências dos dias de festa. De perceber que nem só de futebol, churrasco, cerveja e “rebolation” vive o brasileiro.


Hora de assumir que praticamente “levamos com a barriga” o ano até aqui e que, somente agora, o ano vai começar de fato.


Precisamos correr atrás do prejuízo! E não estou falando apenas do sono atrasado, dos quilos a mais depois de tanto churrasco e cerveja, ou das besteiras que falamos durante a festa do Rei Momo.


É hora de perceber que o tempo não para, que as oportunidades passam e não voltam mais. É hora de perceber que temos MUITAS responsabilidades e elas estão aí, à nossa espera, aguardando que tomemos as decisões.


Sobretudo, é hora de entender que não somos meros espectadores da vida, alimentados de “pão e circo”. Somos protagonistas.


Que há inúmeros escândalos nos governos municipais, estaduais e federais; E que é nosso direito e, principalmente, nosso dever cobrar ações dos responsáveis.


Que ainda há pessoas desabrigadas em nossa cidade por causa das enchentes. Que você pode ajudar alguém.


Que você tem família, amigos, e que pode ter alguém que espera por um pouco da sua atenção, carinho, ou apenas uma visita.


É hora de perceber que chegou o momento de cair na real, assumir as responsabilidades e começar a agir. E não apenas resmungar por aí que chegou aquela época chata do ano. Aquela que fica entre o carnaval e o réveillon. A época de trabalhar.


Já passou da hora de guardarmos as fantasias de carnaval e finalmente acordar para a vida.




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Som Que Mudou a Minha Vida


"Os desenhos na tela representavam aquelas ondas sonoras que apesar de muito suaves tinham uma força tremenda"



Editoria: Comportamento

Texto Publicado no Jornal Dia@Dia

Fevereiro/2010.



Esta semana eu ouvi um som que mudou a minha vida.


Não era lá grande coisa, pois foi preciso uma ferramenta amplificar seu ruído para que pudesse ser ouvido.


Também não era muito interessante, pois o mesmo som se repetia continuamente e de forma acelerada. Como se fosse um pequeno tambor de escola de samba que toca sempre a mesma nota.


Parecia ser nada de mais. Mas apenas parecia... Não era nenhuma melodia, mas soou como música para meus ouvidos.


Naquele momento aquilo se tornou a coisa mais preciosa que eu poderia ouvir. Era como se o mundo tivesse se perdido em silêncio e somente aquele som rasgava a sala em que eu estava e me fez estremecer por dentro.


Fiquei em êxtase, hipnotizado, perdi a voz, as palavras os sentidos. Meus olhos só conseguiram buscar um monitor que apresentava uns gráficos. Os desenhos na tela representavam aquelas ondas sonoras que apesar de muito suaves tinham uma força tremenda.


Por um instante, não consegui pensar em nada. Se me permitem a redundância, não há como descrever uma sensação que só se pode sentir. Me permitam, pois é exatamente isso. Não existem palavras capazes de traduzir o sentimento único que é descobrir que uma nova vida está se formando.


O som que eu acabara de ouvir era do exame de ultrassom que apontou a gravidez de minha esposa. Os gráficos mostravam os batimentos cardíacos do bebê que, embora ainda tenha pouco menos de meio centímetro, já possui um coraçãozinho cheio de vida.


Sim! Eu vou ser pai!!


Esta semana eu ouvi um som que mudou a minha vida... e mudou para sempre!



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A Maior Clínica de Recuperação do Mundo


Pense bem, mas me responda rápido! As vagas estão acabando...


Editoria: Esportes

Texto Publicado no Dia@Dia Jornal

Fevereiro/2010.



Ei você! Você, caro treinador de clubes europeus. Você tem algum jogador com fama de bad-boy? Algum jogador que está com rendimento muito abaixo do esperado? Ou quer valorizar aquela “eterna promessa” fazendo-o jogar campeonatos com visibilidade internacional?


Ah... mais do que isso: quer fazer com que seu jogador reencontre a “felicidade de jogar futebol”? (seja lá o que isto sifnifique)


Eu tenho a solução! Vou mandá-lo para a melhor clínica de recuperação de jogadores do mundo. É tiro-e-queda, certeza de resultados.


Exemplos são o que não faltam: Adriano, o Imperador; Ronaldo, o Fenômeno; Carlos Alberto; Amoroso; Roberto Carlos e agora, por último, o Rei das Pedaladas, Robinho.


Sim, meu caro “professor”. Aqui seus alunos vão fazer as aulas de recuperação em turno dobrado. Treinos pela manhã e à tarde. Bem diferente da mamata encontrada aí no clima temperado da Europa.


Aqui a chapa esquenta, literalmente! Os jogos são debaixo de um sol de 40 graus. Eles vão suar a camisa ainda que sentados no banco de reservas. É promessa de retornar “sequinho” ao clube de origem.


Pense bem, amigo treinador. Você só terá vantagens! Terá uma dor de cabeça a menos, sem aquelas tradicionais baladas depois dos jogos, e a imprensa vai parar de pegar no seu pé por deixar encostado aquele jogador comprado à peso de ouro.


Ah! E se fechar negócio comigo eu ainda lhe dou preferência de compra de um futuro craque. Aqui eu tenho vários. E aí, o que me diz?


Olha, pense bem, mas me responda rápido! Acabo de ver um dos meus pacientes recém chegados literalmente tirar de letra a desconfiança que rondava seu nome. E as vagas estão acabando.


Hmm... não sei não. Acho que o senhor demorou demais. Parece que o Cicinho já está vindo pra cá, e receio não ter mais vagas. Bom, de qualquer forma, fique com meu cartão. Quem sabe o senhor precise de mim na próxima janela.


A propósito, meu nome é Futebol Brasileiro. A gente volta a se falar. Até a próxima negociação!



domingo, 31 de janeiro de 2010

MInha mãe já dizia...


"Arrume a bagunça de seu quarto antes de sair para brincar na rua"



Certas coisas que aprendemos na vida não são ensinadas em colégios, faculdades, e tampouco são encontradas nas pesquisas de internet. São aprendizados que adquirimos durante a vida, sobretudo na infância.

Quando eu era pequeno, me lembro muito bem quando ouvia uma bronca da minha mãe: “antes de sair para brincar na rua, arrume primeiro a bagunça em seu quarto!” - dizia ela.

Trocando em miúdos, seria algo como aquele ditado: “primeiro a obrigação, depois a diversão”, mas há ainda algo mais profundo nesse misto de bronca com ensinamento maternal. Algo que os homens deveriam levar para o resto da vida, especialmente no âmbito profissional, onde fará toda a diferença.

Arrumar seu quarto antes de sair brincar na rua equivale a um funcionário terminar seu trabalho antes de sair para o happy hour; um dentista manter sua higiene bucal perfeita antes de atender seus clientes; um guarda rodoviário respeitar as leis de trânsito quando dirigir seu carro particular; um prefeito corrigir os problemas de sua cidade antes de fazer festa para turistas ou o Presidente da República investir os recursos do Tesouro Nacional no próprio país em vez de fazer marketing internacional, perdoando dívidas e fazendo doações milionárias.

Em suma, precisamos dar o exemplo, antes de tudo. Não que eu seja contra a diversão, às festas populares ou então, contra à solidariedade ao povos que sofrem com tragédias naturais ou políticas ditatoriais. Não é isso.

Ocorre que tenho a opinião formada de que, antes de mostrar aos outros o que eu tenho ou o que eu sei fazer, preciso ter feito a “lição de casa” primeiro. Foi assim que minha mãe me ensinou e acho que as outras mães também deveriam ter ensinado o mesmo.

Será que só eu penso assim? Confesso que eu nunca fui um exemplo de criança, mas ainda guardo comigo essa regra de antes de sair por aí, eu tenha cumprido com minhas obrigações.

Sendo assim, antes do nosso Presidente Lula enviar milhões para o Haiti, porque ele não investiu tudo em seu próprio país? Só para citar um exemplo, por que não mandou ajuda para as vítimas dos desastres naturais que aconteceram recentemente, em vários locais do país? Ou melhor, por quê não investiu em infra-estrutura para evitar ou ao menos amenizar os danos?

Novamente repito: não sou contra a solidariedade com aquele povo sofrido do Caribe (que aliás já recebia ajuda do Brasil, sendo o exército brasileiro líder das ações da ONU naquela região) mas penso que também temos um povo por sofrido aqui, mas que está esquecido, longe da luz dos holofotes e câmeras de TV. No sertão, na periferia, em qualquer lugar. E por isso, merecia mais atenção do governo antes de voltar os olhos para o que acontece lá fora.

Por falar em desastres naturais, chuvas... tenho um exemplo aqui no “quintal de casa”: Antes de o prefeito de Atibaia, Dr. Denig, acatar os pedidos de manifestantes à favor da manutenção da verba para as festas de Carnaval, em detrimento do apoio às vítimas da enchente (sim! É um absurdo, mas é verdade!), penso que ele deveria rever quais são as verdadeiras PRIORIDADES.

Então o carnaval seria mais importante? Deixar uma escola de samba sem a verba para desfilar é inaceitável, mas deixar uma família sem lar por que sua casa está tomada enchente é tolerável? Ah, sim. É a política do "pão e circo" que irá reinar por aqui? Não me conformo saber que pessoas sejam tão egoístas a ponto de pensar desta forma.

A justificativa da Prefeitura é de que o turismo na região já está abalado por conta das enchentes e que, sem as festas de Carnaval isto se agravaria, diminuindo as reservas na rede hoteleira. A solução? Vamos fazer festa! Faça chuva ou faça sol. Hmm... chuva. Mais chuva?

Por um acaso a situação das famílias desabrigadas vai melhorar por conta das horas de folia e marchinhas de carnaval na Praça da Matriz??

Bom, eu acho que não. Pelo menos esta é a minha opinião. E ainda continuo com aquela dúvida: Será que só a minha mãe me ensinou isso? Ou só eu que levei bronca na infância?

É... vou ter que contar pra minha mãe.




segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

As Duas Palavrinhas Mágicas

Como pode? Duas palavrinhas me fizeram perder todas as outras?



De repente, senti como se o tempo tivesse parado: não via nada ao meu redor, só eu e ela. Uma luz branca nos envolvia como uma densa fumaça, fazendo parecer como se estivéssemos flutuando.

Sim, eu perdi o chão. A garganta estava seca, meus olhos se mexiam numa velocidade alucinante, sem saber ao certo onde fixar o olhar.

A respiração se tornou ofegante, o coração batia em ritmo acelerado, a pele arrepiava, não podia ouvir mais nada, senão aquela voz...

Ainda sem saber ao certo o que tinha acontecido, tudo o que eu pude perceber é que ela estava ali, sentada, sozinha e chorando...

Aquela pele clara não escondia o nervosismo, estava bastante rosada e úmida pelas lágrimas que escorriam em seu rosto.

Aqueles olhos azuis da cor do mar, tão marcantes. Antes tão suaves e tranquilos, hoje estavam vermelhos, transbordando lágrimas, assim como um mar que joga suas ondas contra as pedras do litoral.

Aquelas mãos macias e trêmulas, recém adornadas com desenhos de flores em suas unhas, seguravam entre os dedos um papel cuidadosamente dobrado.

Papel que, a esta altura, já estava regado com alguns pares de gotas de lágrimas. Absorvendo como se fosse seu, gratuitamente, toda emoção que simplesmente emanava no sorriso daquela moça.

Um sorriso misturado ao choro. Choro de alegria ou um sorriso disfarçado de nervoso e tristeza? - perguntava a mim mesmo enquanto fazia um tremendo esforço para soltar alguma palavra.

"Palavras, apenas, palavras pequenas, palavras ao vento..." já cantava Cássia Eller. Com ela aprendi que não deveria apenas jogar palavras ao vento. Por isso minha preocupação em tentar encontrar algo que a confortasse e, ao mesmo tempo me permitisse tentar descobrir o que estava acontecendo.

Foi aí que então apenas duas palavras me fizeram perder todas as outras. Como pode? Duas palavrinhas mágicas que me fizeram entrar em êxtase...

Uma sensação indescritível! Confesso que não acreditava quando me diziam: "ah, isso não tem explicação". Fui vencido.

No momento em que nem todas as palavras de todas as línguas do mundo seriam capazes de traduzir minha sensação, eu só pude beijá-la, abraçá-la e chorar junto com ela. E choro de felicidade.

Agora posso reencontrar o chão, reaver as palavras, recobrar os sentidos e voltar ao mundo real.

Agora, mais do que nunca, preciso ir trabalhar!!!


Ahh, quanto às duas palavrinhas mágicas?

"ESTOU GRÁVIDA!". Dita por minha esposa, aos prantos, sábado, dia 23 de Janeiro de 2010, as 11:45 da manhã.

Senhoras e senhores, eu serei Papai!!

E estou FELIZ DA VIDA!

Que Deus abençoe essa nova vida que está para nascer.

Amém.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Começou!!!


Foi dada a largada para os Campeonatos Estaduais.



*Editoria: Esportes

Publicado no Jornal Dia@Dia

Janeiro/2010




Agora sim o ano começou pra valer.


Eu sei que, oficialmente, o ano se inicia ao primeiro minuto do dia 1 de janeiro. Mas para os apaixonados por futebol o assunto é um pouco diferente: o ano só começa quando a bola rola nos campeonatos estaduais.


Neste fim de semana tiveram início os principais campeonatos regionais do país: em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Muita emoção e ansiedade na volta aos gramados do seu time de coração. Finalmente, acabou o desespero de muita gente.


E não é nenhum exagero quando escrevo “desespero”. É bem provável que enquanto você lê esta coluna, lembre-se de algum amigo que tenha passado as noites de quarta-feira e tardes de domingo andando de um lado para o outro, sem saber o que fazer por conta das férias futebolísticas.


Já que não havia o que assistir, muitos partiam para as suas próprias peladas. E é claro, devidamente uniformizado.


Era uma maneira simples de ter seu time em campo, embora sem muitas semelhanças, tecnicamente falando.


Outros, porém, preferiam sair em busca de VTs de jogos históricos na televisão ou assistindo vídeos na internet, tudo para poder saciar a sede por futebol.


Pronto. O martírio acabou! Chega de sofrer, a crise de abstinência vai passar...


Bom... Pensando bem, acho que o sofrimento, na verdade, vai começar agora.


Afinal, este ano está só começando!



E que venha 2010!

Depois de um mês de férias, voltarei a escrever.

As colunas publicadas no Jornal Dia@Dia e também textos exclusivos pra o Blog.

Pensamentos, poesias, e textos que eu julgar interessantes.

Espero ser agraciado com sua visita!

Um excelente 2010 pra você, querido leitor.

Saúde e Sucesso. Sempre!!!

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Eddy